Final Draft

By Eduardo Albuquerque - 3/23/2015




Para mim, na briga Hardware vs. Software aplicada ao mundo do Roteiro, vence o primeiro e, por isso, venho sempre me focando mais nele especialmente na seção S.O.S. Roteirista. Mas o software também tem sua importância – haja vista a constante pergunta que vocês me fazem sobre isso! – então, de vez em quando pretendo falar de gadgets, softwares etc. ancilares à prática. Para começar, talvez o mais importante, com certeza o mais famoso, é o Final Draft.

O slogan já diz tudo “Industry standard”. O Final Draft é um processador de texto específico para a escrita de roteiros de TV e Cinema e, há décadas, vem sendo, mundialmente, o programa referência para roteiristas e profissionais do meio quando o assunto é roteiro.

Nos EUA, com tamanha oferta e procura, formatação é assunto muito sério. É critério pra jogar seu roteiro fora sem nem ler. Mas sempre que vejo por aqui alguém coçando a cabeça com a questão de formatação eu tento lembrar que estamos no Brasil e não há qualquer padronização; o que a pessoa tem que se importar antes de tudo é com a qualidade do que está escrito. Porém falo isso mais na intenção de motivar a pessoa e ajudá-la a não deixar a peteca cair, pois, apesar de não ser mentira o que eu disse da qualidade, não só é importante que tenhamos um padrão; é vital que haja uma formatação técnica para que sua história vire um roteiro.

Lembremos; roteiro não é literatura e sim uma peça técnica. Para que os profissionais de outras áreas leiam o roteiro e extraiam dele as informações que precisam para o trabalho deles, é vital que você escreva dentro de um formato que ele consiga fazê-lo. Nada que vá mutilar sua criatividade e outros mimimis, pelo contrário; você, aprendendo as especificidades de um roteiro, passa a escrever peças técnicas com cada vez mais valor literário. Já fui chamado para um trabalho de Script Coordinator para acertar exatamente esta parte e foi gritante a diferença dos notes do canal em relação ao roteiro uma vez formatado. Nem preciso falar "modéstia à parte", pois não alterei muita coisa, apenas transformei/simplifiquei a redação/formatação de rubricas e scene heading, transições etc. Somos antagonistas ao Chacrinha; estamos no jogo de explicar e não confundir!

Então, o Final Draft é uma excelente ferramenta para rapidamente (quase automaticamente) você entender o funcionamento técnico de um roteiro e adequar sua escrita para que a peça final propicie uma experiência visual (e, por conseguinte, de consumo) engajante e te destaque num meio onde, infelizmente, ainda muita gente apresenta seu trabalho (às vezes muito bom) de maneira pouco profissional.

O Final Draft não é perfeito. Apesar dos shortcuts já estarem na minha pele, ainda há um pouco de tempo que se perde focando na formatação e não na escrita em si. Mas, como diz o slogan, é o standard da indústria e, bem ou mal, ainda que eu atualmente tenho trabalhado também bastante fora dele, inevitavelmente você acaba precisando dele para salvar/abrir aquele arquivinho .fdr/.fdx

E você? Qual processador de texto você usa para escrever roteiros? Qual a melhor coisa dele? Confirme que você não é um robô e deixe seu comentário aqui embaixo!

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3 comentários

  1. B Noite, agradeço pela dica super valiosa. abraço

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  2. Sou iniciante nas artes de roteiro. Estou fuçando sobre qual software devo usar. Você já foi esclarecedor o suficiente para eu me decidir. Por enquanto minha história ainda não sabe se quer ser livro, longa ou série. Estamos tateando o assunto.
    Valeu e um abraço

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    Respostas
    1. Bom saber! Deixa o software pra depois; o importante é focar na historia e descobrir pra qual formato ela é melhor (livro, longa, serie, web serie...)

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