FOLLOW UP: Netflix e narrativas

By Eduardo Albuquerque - 12/19/2017




Já assistiu "Big Mouth", o desenho da Netflix?

É bem bom, gosto bastante do enfoque em sexualidade, o uso cômico quase grotesco das ânsias adolescentes desmitificando especialmente a sexualidade feminina e a forma como ela é normalmente apresentada. Boa pedida pro Natal e Ano novo, pra quem não vai viajar e quer alguma diversão!

Mas estou mencionando a série pra fazer um follow up daquele post onde analisei uns dados do Netflix e disse que a tenndência seria que os storytellers passassem a planejar seus arcos em 2 horas de programação. Nos comentários do post, o Gabriel Lira já falou tempos depois que a tendência é real e mostrou uns links de entrevistas onde showrunners falavam sobre isso... Mas assistindo o quarto episódio de Big Mouth - que tem 20 minutos por episódio - pude ver o exemplo cristalino na minha frente - até porque eles usam de muita metalinguagem e o personagem chamou a atenção da platéia para este fato quebrando a quarta parede. Maurice, o personagem em questão, menciona uma piada específica e assegura ao outro personagem que aquilo é um call back joke para o acontecido a 2 episódios atrás, justificando que tudo bem, pois todo mundo binge watch/maratoneia então a piada ainda estaria fresca na memória da platéia. Depois ainda faz graça dizendo para continuarem assistindo, dando um spoiler do que supostamente acontece no próximo episódio (ainda não assisti pra ver se é só piada! não era só piada; rola mesmo).

Como falei no post original da análise, não sei se eu gosto muito disso. Curto a relação médico storyteller - paciente espectador. E gosto da temporada clássica de 22 episódios. Uma das coisas que acho fascinante de "Bojack Horseman", outro desenho da Netflix, é exatamente como eles, mesmo confinados a 10 episódios, mexem no espaçamento narrativo numa lógica de tempo de 22 episódios. Um fato acontece aqui e só lá tarde tem um payoff. Às vezes nem tem... às vezes eles pulam uma grande quantidade de tempo e ignoram até continuidade de fatos... é bem old school e eu gosto disso. Mas, enfim, it is what it is e é legal ver que fazia sentido o que previ lá atrás. Espero que quem tenha lido na época tenha aproveitado a dica e largado na frente do que, provavelmente, vai ser uma grande tendência.

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