Agequake e o revival de séries

By Eduardo Albuquerque - 4/20/2018



Nos últimos posts vim discutindo as mudanças de eixo da TV e do Cinema e uma tendência na televisão me fez vir aqui e adicionar a essas filosofadas todas: essa onda de revival de séries consagradas.

Will and Grace, Full House, Gilmore Girls, X-Files, Twin Peaks, Roseanne... todas essas (e algumas outras) voltaram e os estúdios planejam fazer mais disso; inclusive com algumas séries que não dá pra entender o porquê da vontade de trazer de voltar.

Revival é a atual moda e tem alguns motivos óbvios para isso. O principal é a velha questão do risco. Os estúdios tem estas propriedades intelectuais em seu portfolio e tratam de movimentá-las pois vale mais a pena botar pra rodar algo que já é seu do que ter que pagar pra comprar algo novo, certo? Algo novo que, por mais bom que te pareça, pode não encontrar um público. Já estas propriedades intelectuais que eles revivem, partem, de início pelo menos, de um público curioso pra saber o que fizeram daquele universo que gostavam.

Remakes eram comumente feitos, mas revivals não. E tem uma explicação para isso e é disso que este post quer tratar.

Revivals são uma consciente - acredito eu - tentativa de capitalizar no fenômeno chamado Agequake, onde a pirâmide demográfica está virando de cabeça pra baixo. Devido aos avanços da medicina, a humanidade está vivendo mais e, por conta de educação e progresso social, o controle de natividade está maior. Assim, temos mais "velhos" e menos "jovens" que antigamente.

A televisão, apesar de ter espaço para todos, sempre teve seu horário nobre focado em jovem adultos de 18 a 34 anos; essa era a demográfica de publicidade - pois, como todos sabem, a publicidade não está ali para te dar tempo de ir ao banheiro/respirar; um programa de TV é escrito para ser tão bom que você fica ali vidrado e consome a propaganda. No entanto, com o Agequake e as diversas disrupções que estão acontecendo, você tem toda uma galera - os jovens 18-34 de 20 anos atrás - com poder de consumo ainda maior que os jovens de hoje (que disputam um mercado muito mais saturado, inclusive porque esses "velhos" não largam o osso e se aposentam tão cedo quanto antes) e uma nostalgia afetiva gigante para serem exploradas.

O assunto é interessantíssimo e renderia muitas linhas filosafadas. Adoraria falar sobre como os BabyBoomers são uma geração que envelheceu mal a beça, intitulada, individualista e desconectada da realidade, botando a culpa na vítima (os pobres dos Millenials) das próprias coisas das quais é responsável. E nem seria fugir da área de discussão do site, pois fazemos audiovisual com o mundo que nos cerca e entender o momento geracional que passamos - seja seu projeto situado no passado, no futuro ou no presente; na realidade que for - sempre vai reverberar (e será analisado pel)o momento por qual passamos.

No entanto, falta-me o tempo - e a vontade, pra ser honesto - para fazer uma análise extensa sobre o assunto. Pelo menos por agora. Achei mais produtivo jogar este estalo aqui, seja pra iniciar uma discussão sobre o que isso representa para nós, pensadores de conteúdo audiovisual, seja apenas para abrir os olhos dos colegas para essa realidade e, assim, considerarem essa tendência de uma expansão de foco geracional para o nosso storytelling. Não precisa pensar em histórias com protagonistas  de 60 anos cheios de preconceitos lutando contra qualquer coisa que não entendam, ou pior: ficar matutando qual história de 20 anos atrás vale a pena refazer: você não tem os direitos dela, vai queimar a mufa à toa - embora eu total aceitaria fazer um revival de Felicidade com a disputa familiar fraternal entre Alvinho Coxinha e Bia Militante; bora escrever isso junto, Maneco!

O que estou falando é que vale considerar a existência de um público grande num extrato basicamente inexistente há pouco tempo atrás. Mesmo que ele não seja seu foco; saiba que ele está lá assistindo e poderá, de maneira toda errada, ir ao Twitter reclamar do seu conteúdo, desconsiderando-o por não ser a verdade dele.

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