Dicas de Rewrite

By Eduardo Albuquerque - 5/11/2015




Expliquei por alto os documentos pelos quais você passa na hora de escrever um roteiro de longa-metragem, mas na parte final, o Tratamento, a pincelada foi especialmente branda e isso se deu pois, na verdade, tem muita coisa que você pode fazer nesta etapa. Cada um tem os seus segredos e as suas manias, eis uma das coisa que gosto de fazer:

Na hora de reler o tratamento, especialmente os iniciais, eu faço um truque que é trabalhoso, mas vale a pena. Eu tapo o nome dos personagens e leio a cena. Se eu não conseguir reconhecer quem fala o quê, é bom eu retrabalhar aquela cena.

Diálogos e vozes são coisas muito importantes. Todo mundo tem seu jeito próprio de se expressar e você, como roteirista, tem que ter extra cuidado para que não fique todo mundo falando do mesmo jeito, ou pior, falando do seu jeito.

Você pode fazer do jeito trabalhoso (e aí são dois: tapando os nomes no arquivo e depois com papel/caneta no papel) ou do jeito mambembe, tapando os nomes com os dedos as you go. Faz como for melhor pra você, mas o processo é bom e de boa serventia!

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4 comentários

  1. Um dos fatores que me influenciaram a querer ser roteirista é a literatura, li muito quando jovem e ainda leio, isso me motivou a escrever minhas próprias historias - primeiro como contos e romances e agora em forma audiovisual. Sobre diálogos em literatura é difícil você achar um romance que tenha os diálogos de forma característica, é a minha avaliação não profissional.
    Já em audiovisual você tem a ancoragem da imagem. Assisti ontem a um filme que os três personagens principais eram bem característicos visualmente (o garoto maneiro da escola, o garoto CDF e a policial durona e justa). Era possível identificar essas características já no figurino, mas o que me chamou a atenção foi que os três tinham diálogos muito próprios (o CFD pouco falava e era em monossílabos, o garoto maneiro falava muito e fechava com frases de efeito e a policial - olhando bem agora foi usado muitos diálogos dela falando sobre si - ai desleixo do roteirista que não buscou evidenciar seus fardos do passado com ações mais consistentes).
    Acho importante também essa parte, mas pegando um gancho no texto SHOW, DON'T TELL do Eduardo e parafraseando Syd Field "um roteiro é contado por meio de imagens". Acredito que quando você dominar o ato de contar uma historia por meio de imagens, você domina o mundo, literalmente, porque você consegue até mesmo descrever o silencio, um personagem mudo, cego e surdo e contar uma historia. Acho que ai está o pulo do gato.
    De qualquer forma sua técnica é muito interessante.

    Tenho um questionamento. Ao fazer o roteiro, também escrevo em outro documento um aporte onde consta um argumento de toda a historia e a descrição dos personagens - contando desde seu nascimento até o momento do roteiro. Guardo isso para entregar com o roteiro se for preciso. No entanto no roteiro eu escrevia descrição física do personagem e lendo alguns roteiros percebia que isso não era usado e tornava meu roteiro grande demais - quando mais branco melhor, acho eu. Então se o Eduardo puder ou alguém mais comentar, o que seria o ideal para quem for ler e avaliar, ter essas informações no roteiro. Ex: JOAO, 35 anos, alto, moreno, com músculos, usando uma calça do exercito, botas, camisa branca de regata OU apenas JOAO, 35 anos.
    O que convém mais falando em mercado.

    Jeferson

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    Respostas
    1. Jef, foi mal, só vi esse comentário anos depois...

      A primeira versão é melhor. Você deu o visual dele pro leitor. João, 35 anos, é muito brando. Posso imaginá-lo de várias formas. Eu costumo dar nome, idade (ou idade aproximada, tipo: 30-40 anos), uma descrição física e de atitude. Ex: FULANA, 30 e muitos anos, ar professoral, com aquele cabelo impecavelmente preso que quando solto revela uma mulher que ainda bate um bolão.

      Esse é o mais próximo de "literatura" que chegamos. Pintar uma imagem na cabeça da pessoa. Repara que mesmo sem gastar uma letra pra peça de roupa dela e sim pra personalidade, acabei dando o mapa da roupa, né?

      Essa seria a única dica que eu daria pra sua primeira descrição: ela foi muito específica. Se for o caso de na cena a calça de exército, bota e camisa branca regata serem algo citado ou extremamente necessário que seja isso, tudo bem, mas do contrário não é uma boa você chamar cada uma delas, pois pode ser que não bata com a palheta de cor da direção de arte, que atrapalhe a luz do Fotografo... (alias, branco é uma cor que essa galera geralmente não curte). Então voce podia escrever "João, 35 anos, porte grande, típico rebelde rejeitado do exército" (eu imaginei o Giles do Street Fighter) hehe

      E, lembremos, a descrição é só da primeira vez que o personagem entra. Depois é só o nome e, quando muito, 'como' ele tá se vestindo, mas não 'o que' ele está vestindo (só quando imprescindível, tipo um personagem sem noção que vai numa reunião dos panteras negras com uma camisa escrita KKK. Você tá chamando a atenção do leitor/espectador pra essa importancia visual que vai trazer conflito. mas dizer que ele vai com uma camisa verde de malha, uma bermuda caqui... não.

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    2. aproveitando já que estou aqui, li sobre o silencio. Acho que essas pausas que atores fazem em determinados momentos são muito interessantes. Um roteirista disse que evita escrever "fulano não respondeu", tipo não escreve o que não acontece, mas fico na duvida em alguns momentos. Gostaria que houvesse uma pausa, alguns segundos de silencio e fico na duvida se escrever ou não. O que acha?

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